26/09/2017

Precisamos falar sobre transição capilar!




Todas as meninas que não tem cabelo liso natural sabem (e como sabem) o quanto este fato sempre foi um pesadelo em nossas vidas, porque não podemos negar que o cabelo liso foi por muito tempo considerado o cabelo ideal, e eu não vou discutir o porque, pelo simples fato que o assunto é extenso, e há várias explicações, o que quero discutir hoje é sobre a transição capilar.

Está na moda a transição capilar, e por favor não negue isso, sim moda, porque moda nada mais nada menos é um conceito seguido por uma gama grande de pessoas, ou seja transição é sim uma moda, seja passageira ou tornando-se atemporal, é moda, entendido isso vamos para o próximo ponto, porque devemos fazer transição capilar? Seja auto aceitação (falarei disso mais tarde), seja por vontade de conhecer o próprio cabelo (tem meninas que alisam desde muito cedo e nem se recordam da estrutura do próprio cabelo), ou seja por outro motivo qualquer, afinal devemos fazer transição porque mesmo? Aliás essa palavra "dever" já me lembra uma coisa bem interessante que falei no primeiro parágrafo, se antes deveríamos alisar os cabelos para que fossemos consideradas bonitas, hoje temos que fazer o caminho contrário? Tem algo errado!



Transição capilar e nossa liberdade, ou falta dela.

Há diversas campanhas publicitárias a respeito, há diversos digitais influencers dizendo a todo instante da importância da aceitação, de que devemos gostar de nós mesmas como somos, falando sobre a opressão que vivíamos na "ditadura do liso", eles te estendem a mão te dando um novo caminho, mas na outra mão te empurram um novo tipo de ditadura, sim a ditadura onde você não tem mais liberdade de escolher sobre o próprio cabelo, pois caso prefira alisar, automaticamente você ganha um selo de "não me aceito como sou", por isso é importante ficar claro, não há frase mais contraditória que esta: "aceite-se e ame-se como é", não, não sou obrigada a alisar, tão pouco a me aceitar como sou, eu posso ser o que quiser, lisa, cacheada, colorida, ninguém tem nada a ver com isso.

O engraçado é que esse papo de aceitação vem das mesmas pessoas que pintam o cabelo, sim estou sendo radical porque quero que vocês compreendam o quão banal é esse papo de aceitação sobre cabelo, gente cabelo é apenas cabelo, e é nossa propriedade, ninguém tem o direito de me dizer como eu devo ou não usa-lo, pensei que tivéssemos superado isso, mas hoje uma mulher negra que alisa o cabelo é esculachada em grupos femininos de facebook, porque todos devemos honrar nosso DNA, não meninas, não!

Passamos a vida inteira com a mídia e as pessoas querendo ditar regras sobre nosso cabelo, que cabelo cacheado/crespo é feio, fora os termos que não vou usar que você conhecem muito bem, mas do que adianta termos superado isso se não podemos encarar a realidade que cada pessoa tem o direito de ser o que ela quiser, inclusive lisa, por facilidade, por gosto, por costume, não importa, sem esse papo que "cabelo cacheado é mais fácil de cuidar", depende, para você talvez seja, para mim é um inferno.

Fiz transição duas vezes na minha vida, a primeira foi em 2001, após o primeiro alisamento, que era definitivo, na época eu tinha AMADO o cabelo liso, porém eu não tinha mais condições de manter pois era extremamente caro a manutenção de raiz, eu fiz transição em uma época que isso não existia, sofri com o cabelo com 2 texturas até o fim, não fiz o tal "big chop", o termo não existia ainda, mas era o que todo mundo falava para eu fazer "corta tudo logo", eu sempre fui inimiga de cabelo curto, resisti até o fim mesmo sofrendo bullying todos os dias na escola e fora dela, raiz cacheada e pontas extremamente lisas.

Na segunda transição, que foi ano passado, tentei me livrar de uma quimica pois queria mudar a cor do cabelo, decidi então conhecer a textura atual do meu fio e ver se rolava deixar natural, tudo em prol de clarear o cabelo, coisa que com quimica era impossivel, foram 7 meses em vão, meu cabelo estava um 2C e eu odiei, cada vez que passava as mãos na raiz e sentia as ondas eu tinha vontade de chorar, porque cabelo cacheado/ondulado não é pra mim, é lindo, aliás é lindo mesmo, mas eu não gosto, não é prático para meu dia a dia, voltei a alisar com o mesmo alisante e analisando tudo sobre mim, quem sou e meus gostos, percebi que eu estava indo na contra mão deles, eu sempre gostei de cabelo preto e liso, e não fazia sentido eu mudar por causa de fulana ou ciclana que eu seguia no instagram, o que funciona para elas não funcionava para mim.


Transição capilar deve ser liberdade e não imposição, não fiquem incentivando meninas a fazerem isso só porque VOCÊ gosta, assim como eu não incentivo ninguém a alisar o cabelo, isso é muito pessoal, cada um deve encontrar seu próprio caminho, tem meninas que gostam de escova e chapinha (coisa que eu passo longe), tem meninas que se encontram na progressiva, outras fazem permanente para definir cachos, outras como eu fazem alisamento definitivo, há outras que nada fazem, o cabelo é virgem da raiz as pontas, tem outras que apenas pintam, mulheres que gostam de cabelo curto outras como eu detestam, então que cada um tenha a liberdade de ser quem gosta de ser, porque se todo mundo fosse igual não teria graça e saibamos respeitar as escolhas dos outros, mesmo que sejam o oposto da nossa.

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