26/09/2017

Não queria crescer: Férias com a família



Eu sempre morei no litoral, mas cada vez que subia a serra para ver minha família e me deparava com aquela cidade grande linda, as ruas que subiam e desciam, carros apressados, as pessoas que mais corriam do que andavam, as estações de metro e trem lotadas de pessoas de todo tipo, eu pensava "é nesse mundo que eu quero pertencer", sempre amei minha cidade favorita do mundo, São Paulo!

Minha tia morava em uma cidade à 45 minutos do centro de São Paulo, eu passava minhas férias de verão e inverno lá, eu me lembro como se fosse hoje, cada vez que eu ia para lá, não queria mais ter que voltar a realidade litorânea sem graça, aquele mundo era meu, aqueles passeios ao centro, aos imensos shoppings, aqueles arranha céus era tudo parte do meu mundo, ou pelo menos eu gostaria que fosse.


Eu tinha primos, e os mais terríveis possível, e comigo junto não prestava, nós aprontávamos uns com os outros, bolávamos planos para assustar os menores, ficávamos até tarde na varanda da casa de outra tia que tinha vista total da cidade contando histórias de terror impressionantes e "realistas", pelo menos era o que os mais novos pensavam. Certa vez, inventamos algo tão assombroso acerca de uma casa em construção que brincávamos de dia, propositalmente fiz meu primo menor esquecer seu brinquedo  dentro desta casa, e ao anoitecer eu e os mais velhos montamos uma armadilha, penduramos lençóis brancos no teto com auxilio de um varal velho, e um deles se escondeu dentro da casa, quando meu primo notou falta do brinquedo, pediu para que eu fosse até a casa em construção com ele, morrendo de medo pois já havíamos contato uma boa história sobre fantasmas no local, quando entramos e meu primo escondido começou a fazer barulho, ele deu de cara com o lençol, em meio ao breu da casa, saiu em disparada pela porta e nunca mais colocou os pés ali dentro, mal se lembrava para que tinha entrado, o brinquedo nem era mais de importância.

Essa rotina de pegadinhas era constante e inevitável, era o que dava graça as noites frias, quando não íamos ao shopping no centro comer um MC, ou fazer compras na 25 de março,  passávamos o dia indo até a sorveteria Frutiquello, ou comprar esfirras na pizzaria na rua de cima, que inclusive ainda existe e frequento.

Era tanta gente, que família grande! Tinha tantos primos de primos, e primos de primas que mal se sabia o nome de todos, quando alguém da família casava era a maior confusão, quem está casando? que grau de parentesco é? ninguém sabia dizer, mas todo mundo se reunia para ir ao tal casamento, aniversário, bodas de prata, todo mundo fazia corrente para andar na estação de metrô para que ninguém se perdesse, quando chegávamos a casa de outra tia que morava na cidade vizinha, era uma festa, havia guloseimas e tudo que criança gosta, cachorro quente paulista (com purê de batata *-*) e refrigerantes, essa tia tinha uma filha, que era 2 anos mais nova que eu, embora parecesse bem menor, ela era o terror (sorry prima, mas é a realidade rs) ela causava, irritava, fazia manha, mas todos sentiam falta quando ela não tava por perto, ela era a pimenta para nossa mistura de confusões, sem ela era como se estivesse faltando tempero para dar aquela adrenalina nas encrencas, afinal, quem iria caguetar as tramoias? quem iria abrir o bico para os responsáveis? fazer as coisas escondido era a graça, plantar armadilhas como a do lençol, se tivesse a prima para dar a incrementada, teria sido épico!

Quando crescemos um pouco começou aquela fase de namoricos, e não seria diferente com ninguém, até mesmo comigo, eu tinha que dar cobertura para eles e eles para mim, aquela sensação de friozinho na barriga se alguém descobrisse era agoniante ao mesmo tempo perfeito, isso era só mais uma parte dos planos malucos da turma.

Toda vez que penso em visita-los novamente acho que será igual nos tempos antigos, onde vou chegar e ser recebida com festa por todos os primos, onde vamos contar histórias de terror na varanda e esconder segredos uns dos outros, mas nós crescemos! Todos trabalham e tem sua vida adulta, seus relacionamentos, suas obrigações, sua vida cheia de compromissos, não será igual? não podemos mais brincar como antes? nem mesmo contar piadas até ficar com as bochechas doloridas? Eu não sei, de fato eu não faço ideia, mas eu gostaria que todos nós pudêssemos ter um remake de tudo que vivemos, rir de tudo que rimos, e continuar com nossas velhas brincadeiras.

Texto de 2012.

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