29/09/2017

Cabelo duro existe?


Complementando o post anterior sobre Transição Capilar, hoje vamos falar sobre como uma parte da sociedade ainda não superou completamente a questão do cabelo, e como a aparência ainda é (se sempre será, faz parte de nós) algo extremamente importante.

Cabelo duro, cabelo ruim, cabelo feio, cabelo rebelde, e outros termos que são usados para de definir o cabelo que não é liso, mesmo o cabelo ondulado ganha vez ou outra esses adjetivos, porque só o cabelo liso é perfeito e lindo, o resto é CABELO DURO, sim cabelo duro por mais macio e bem cuidado que seja.

Não existe cabelo duro, vamos começar por aqui, existem várias texturas de cabelo, mas nenhuma delas é "dura", esse adjetivo não faz sentido, e é usado para definir especialmente os cabelos afros, que tem a tendência de crescer para cima/lados e não para baixo, por causa da curvatura do fio, esse tipo de cabelo geralmente é finíssimo, o que só colabora para que ele não pese e a gravidade faça sua parte.

Várias pessoas quando veem um cabelo afro e tocam ficam admiradas e falam "Que cabelo macio", pode perguntar para qualquer amiga com aquele "blackão" maneiro que ela vai te dizer, o espanto se dá justamente pela ideia equivocada que esse fio é "duro", que esse fio é de um cabelo "ruim", e que "cabelo ruim não pode ser macio", já passou um pouco da hora das pessoas entenderem um pouco mais sobre o assunto e deixar o senso comum de lado, senso comum esse que é preconceituoso.

Mais uma vez não vou discutir o porque dos porquês neste post, porque meu trabalho aqui não é esse, mas sim fazer vocês pensarem, vamos começar a abandonar esses termos ultrapassados, fúteis e cruéis referente a aparência das pessoas, CABELO DURO NÃO EXISTE, e isso tem que ser enfatizado, o que existe são texturas diferentes de cabelo!

Seja cabelo afro, cacheado ou ondulado, não importa, todo cabelo tem sim sua beleza, sua particularidade, e que fique claro, ninguém é obrigado a achar cabelo X ou Y bonito, gosto é sim pessoal e intransferível, o que não dá para aceitar e que está sendo discutido aqui é o uso de termos preconceituosos para definir determinados tipos de cabelo! Cada um é livre para gostar do que quiser e fazer uso do que lhe agradar, e NINGUÉM deve ser discriminado por essas escolhas, ninguém deve ser impedido de arrumar um emprego porque usa um black power, ninguém deve ser apontado na rua porque seu cabelo é diferente, seja afro, seja apenas colorido, seja as duas coisas juntas!


26/09/2017

Precisamos falar sobre transição capilar!




Todas as meninas que não tem cabelo liso natural sabem (e como sabem) o quanto este fato sempre foi um pesadelo em nossas vidas, porque não podemos negar que o cabelo liso foi por muito tempo considerado o cabelo ideal, e eu não vou discutir o porque, pelo simples fato que o assunto é extenso, e há várias explicações, o que quero discutir hoje é sobre a transição capilar.

Está na moda a transição capilar, e por favor não negue isso, sim moda, porque moda nada mais nada menos é um conceito seguido por uma gama grande de pessoas, ou seja transição é sim uma moda, seja passageira ou tornando-se atemporal, é moda, entendido isso vamos para o próximo ponto, porque devemos fazer transição capilar? Seja auto aceitação (falarei disso mais tarde), seja por vontade de conhecer o próprio cabelo (tem meninas que alisam desde muito cedo e nem se recordam da estrutura do próprio cabelo), ou seja por outro motivo qualquer, afinal devemos fazer transição porque mesmo? Aliás essa palavra "dever" já me lembra uma coisa bem interessante que falei no primeiro parágrafo, se antes deveríamos alisar os cabelos para que fossemos consideradas bonitas, hoje temos que fazer o caminho contrário? Tem algo errado!



Transição capilar e nossa liberdade, ou falta dela.

Há diversas campanhas publicitárias a respeito, há diversos digitais influencers dizendo a todo instante da importância da aceitação, de que devemos gostar de nós mesmas como somos, falando sobre a opressão que vivíamos na "ditadura do liso", eles te estendem a mão te dando um novo caminho, mas na outra mão te empurram um novo tipo de ditadura, sim a ditadura onde você não tem mais liberdade de escolher sobre o próprio cabelo, pois caso prefira alisar, automaticamente você ganha um selo de "não me aceito como sou", por isso é importante ficar claro, não há frase mais contraditória que esta: "aceite-se e ame-se como é", não, não sou obrigada a alisar, tão pouco a me aceitar como sou, eu posso ser o que quiser, lisa, cacheada, colorida, ninguém tem nada a ver com isso.

O engraçado é que esse papo de aceitação vem das mesmas pessoas que pintam o cabelo, sim estou sendo radical porque quero que vocês compreendam o quão banal é esse papo de aceitação sobre cabelo, gente cabelo é apenas cabelo, e é nossa propriedade, ninguém tem o direito de me dizer como eu devo ou não usa-lo, pensei que tivéssemos superado isso, mas hoje uma mulher negra que alisa o cabelo é esculachada em grupos femininos de facebook, porque todos devemos honrar nosso DNA, não meninas, não!

Passamos a vida inteira com a mídia e as pessoas querendo ditar regras sobre nosso cabelo, que cabelo cacheado/crespo é feio, fora os termos que não vou usar que você conhecem muito bem, mas do que adianta termos superado isso se não podemos encarar a realidade que cada pessoa tem o direito de ser o que ela quiser, inclusive lisa, por facilidade, por gosto, por costume, não importa, sem esse papo que "cabelo cacheado é mais fácil de cuidar", depende, para você talvez seja, para mim é um inferno.

Fiz transição duas vezes na minha vida, a primeira foi em 2001, após o primeiro alisamento, que era definitivo, na época eu tinha AMADO o cabelo liso, porém eu não tinha mais condições de manter pois era extremamente caro a manutenção de raiz, eu fiz transição em uma época que isso não existia, sofri com o cabelo com 2 texturas até o fim, não fiz o tal "big chop", o termo não existia ainda, mas era o que todo mundo falava para eu fazer "corta tudo logo", eu sempre fui inimiga de cabelo curto, resisti até o fim mesmo sofrendo bullying todos os dias na escola e fora dela, raiz cacheada e pontas extremamente lisas.

Na segunda transição, que foi ano passado, tentei me livrar de uma quimica pois queria mudar a cor do cabelo, decidi então conhecer a textura atual do meu fio e ver se rolava deixar natural, tudo em prol de clarear o cabelo, coisa que com quimica era impossivel, foram 7 meses em vão, meu cabelo estava um 2C e eu odiei, cada vez que passava as mãos na raiz e sentia as ondas eu tinha vontade de chorar, porque cabelo cacheado/ondulado não é pra mim, é lindo, aliás é lindo mesmo, mas eu não gosto, não é prático para meu dia a dia, voltei a alisar com o mesmo alisante e analisando tudo sobre mim, quem sou e meus gostos, percebi que eu estava indo na contra mão deles, eu sempre gostei de cabelo preto e liso, e não fazia sentido eu mudar por causa de fulana ou ciclana que eu seguia no instagram, o que funciona para elas não funcionava para mim.


Transição capilar deve ser liberdade e não imposição, não fiquem incentivando meninas a fazerem isso só porque VOCÊ gosta, assim como eu não incentivo ninguém a alisar o cabelo, isso é muito pessoal, cada um deve encontrar seu próprio caminho, tem meninas que gostam de escova e chapinha (coisa que eu passo longe), tem meninas que se encontram na progressiva, outras fazem permanente para definir cachos, outras como eu fazem alisamento definitivo, há outras que nada fazem, o cabelo é virgem da raiz as pontas, tem outras que apenas pintam, mulheres que gostam de cabelo curto outras como eu detestam, então que cada um tenha a liberdade de ser quem gosta de ser, porque se todo mundo fosse igual não teria graça e saibamos respeitar as escolhas dos outros, mesmo que sejam o oposto da nossa.

Não queria crescer: Férias com a família



Eu sempre morei no litoral, mas cada vez que subia a serra para ver minha família e me deparava com aquela cidade grande linda, as ruas que subiam e desciam, carros apressados, as pessoas que mais corriam do que andavam, as estações de metro e trem lotadas de pessoas de todo tipo, eu pensava "é nesse mundo que eu quero pertencer", sempre amei minha cidade favorita do mundo, São Paulo!

Minha tia morava em uma cidade à 45 minutos do centro de São Paulo, eu passava minhas férias de verão e inverno lá, eu me lembro como se fosse hoje, cada vez que eu ia para lá, não queria mais ter que voltar a realidade litorânea sem graça, aquele mundo era meu, aqueles passeios ao centro, aos imensos shoppings, aqueles arranha céus era tudo parte do meu mundo, ou pelo menos eu gostaria que fosse.


Eu tinha primos, e os mais terríveis possível, e comigo junto não prestava, nós aprontávamos uns com os outros, bolávamos planos para assustar os menores, ficávamos até tarde na varanda da casa de outra tia que tinha vista total da cidade contando histórias de terror impressionantes e "realistas", pelo menos era o que os mais novos pensavam. Certa vez, inventamos algo tão assombroso acerca de uma casa em construção que brincávamos de dia, propositalmente fiz meu primo menor esquecer seu brinquedo  dentro desta casa, e ao anoitecer eu e os mais velhos montamos uma armadilha, penduramos lençóis brancos no teto com auxilio de um varal velho, e um deles se escondeu dentro da casa, quando meu primo notou falta do brinquedo, pediu para que eu fosse até a casa em construção com ele, morrendo de medo pois já havíamos contato uma boa história sobre fantasmas no local, quando entramos e meu primo escondido começou a fazer barulho, ele deu de cara com o lençol, em meio ao breu da casa, saiu em disparada pela porta e nunca mais colocou os pés ali dentro, mal se lembrava para que tinha entrado, o brinquedo nem era mais de importância.

Essa rotina de pegadinhas era constante e inevitável, era o que dava graça as noites frias, quando não íamos ao shopping no centro comer um MC, ou fazer compras na 25 de março,  passávamos o dia indo até a sorveteria Frutiquello, ou comprar esfirras na pizzaria na rua de cima, que inclusive ainda existe e frequento.

Era tanta gente, que família grande! Tinha tantos primos de primos, e primos de primas que mal se sabia o nome de todos, quando alguém da família casava era a maior confusão, quem está casando? que grau de parentesco é? ninguém sabia dizer, mas todo mundo se reunia para ir ao tal casamento, aniversário, bodas de prata, todo mundo fazia corrente para andar na estação de metrô para que ninguém se perdesse, quando chegávamos a casa de outra tia que morava na cidade vizinha, era uma festa, havia guloseimas e tudo que criança gosta, cachorro quente paulista (com purê de batata *-*) e refrigerantes, essa tia tinha uma filha, que era 2 anos mais nova que eu, embora parecesse bem menor, ela era o terror (sorry prima, mas é a realidade rs) ela causava, irritava, fazia manha, mas todos sentiam falta quando ela não tava por perto, ela era a pimenta para nossa mistura de confusões, sem ela era como se estivesse faltando tempero para dar aquela adrenalina nas encrencas, afinal, quem iria caguetar as tramoias? quem iria abrir o bico para os responsáveis? fazer as coisas escondido era a graça, plantar armadilhas como a do lençol, se tivesse a prima para dar a incrementada, teria sido épico!

Quando crescemos um pouco começou aquela fase de namoricos, e não seria diferente com ninguém, até mesmo comigo, eu tinha que dar cobertura para eles e eles para mim, aquela sensação de friozinho na barriga se alguém descobrisse era agoniante ao mesmo tempo perfeito, isso era só mais uma parte dos planos malucos da turma.

Toda vez que penso em visita-los novamente acho que será igual nos tempos antigos, onde vou chegar e ser recebida com festa por todos os primos, onde vamos contar histórias de terror na varanda e esconder segredos uns dos outros, mas nós crescemos! Todos trabalham e tem sua vida adulta, seus relacionamentos, suas obrigações, sua vida cheia de compromissos, não será igual? não podemos mais brincar como antes? nem mesmo contar piadas até ficar com as bochechas doloridas? Eu não sei, de fato eu não faço ideia, mas eu gostaria que todos nós pudêssemos ter um remake de tudo que vivemos, rir de tudo que rimos, e continuar com nossas velhas brincadeiras.

Texto de 2012.

25/09/2017

O mito da Sororidade feminina



Se tem uma coisa difundida nas redes sociais nos últimos anos é o empoderamento da mulher e a sororidade feminina, mas uma coisa que tenho observado é como a tal sororidade é pintada como algo perfeito e possível sendo que na realidade é bem diferente, as mulheres não são unidas, não dão as mãos e vivem felizes como no conto feminista, as mulheres são cruéis umas com as outras, vivem muitas vezes em função de provar que são melhores, isso quando não inventam que tem inimigas, como ilustra bem várias canções famosas por ai.

Antes de mais nada, não estou aqui para arrumar confusão, e querer causar com o tema, mas sim tentar mostrar que a sororidade HOJE é um mito, e que as mulheres que levantam tal bandeira são as que menos praticam a tal sororidade.

Se você é mulher e já participou de qualquer fórum ou grupo apenas de mulheres na internet sabe bem como a convivência feminina é algo bem complexo, e que brigas acontecem por motivos de nada, uma ataca a outra por pura vontade de atacar, na maioria das vezes não se conhecem, nunca se viram mas estão lá se cutucando, um simples discordar de opinião vira uma verdadeira guerra que beira a baixaria, em alguns minutos já se pode ver várias ofensas dignas da zona, sim vocês sabem disso e evitem a fadiga de negar.

Não existe união entre as mulheres, primeiramente porque somos seres humanos, e humanos são complexos, falhos, e individuais, a partir do momento que a individualidade não é respeitada surge o atrito, e é por isso que a sororidade é um mito, porque ela não leva em conta a individualidade das mulheres, coloca-se todas nós em um único frasco etiquetado "mulher" e nos obriga a viver de acordo com moldes que nem sempre apreciamos, negando-se a individualidade, nega-se também o respeito, sem respeito não há harmonia, para as defensoras da sororidade é muito fácil falar no assunto na roda de amigas que praticam do mesmo pensar, da mesma ideologia e/ou fé, a partir do momento que se tromba com uma outra mulher com experiências diferentes, life style, crenças e etc o problema surge, porque não há como respeitar aquele que é o inverso de você na concepção da maioria das pessoas, e isso não acontece somente com mulheres (mas o tema é esse por enquanto).

Vou dar um exemplo bem clássico, uma feminista e uma conservadora, ora para a feminista a mulher conservadora representa absolutamente TUDO que ela visa combater, e vice-versa, como é possível haver união entre dois tipos tão distintos? Simplesmente não há e vocês sabem disso, poderia haver? Poderia no minimo haver respeito mutuo e "cada um no seu quadrado", raras são as mulheres que conseguem conviver com tais diferenças com tranquilidade.

O que quero com esse texto é fazer vocês refletirem sobre as atitudes diárias, se devemos ser unidas devemos antes de impor aos outros impor primeiramente a nós mesmas, já reparou como você tem agredido outras pessoas por bobagem? Já reparou como você NÃO precisa ofender, diminuir e esculachar alguém só porque este pensa diferente de você? Essa é uma atitude que deveria ser praticada independente de gênero, que fique claro.


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